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Em Belford Roxo, guerra do tráfico muda rotina de moradores

Foto: Cléber Júnior 


BELFORD ROXO - Aulas, itinerários e vidas alteradas pelo medo. Depois que uma guerra entre facções foi iniciada em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, há pouco mais de um mês, moradores da cidade perderam definitivamente a paz.

— Estou chegando em casa cedo e não saio com os meus filhos. Até na igreja que frequento, no Centro de Belford Roxo, não está dando para ir. Peço que as autoridades tomem providência — desabafou X., moradora do bairro Areia Branca, que, em pânico, preferiu não se identificar.

A disputa é entre traficantes dos morros da Palmeira e do Castelar, integrantes de facções rivais que ficam entre o Centro e os bairros Piam e Areia Branca. Semana passada, foram dois tiroteios em pleno centro da cidade. Um deles fez com que uma turma de estudantes da Uniabeu não fosse à aula.

— Foram três tiroteios em dois meses. Muitos alunos faltam ou saem mais cedo. Semana passada, teve um na hora em que eu saía. No dia seguinte, alunos da minha turma não foram porque viram, nas redes sociais, que teria mais um bangue-bangue, porque iam invadir um morro — contou uma aluna da instituição, que chegou a participar de abaixo-assinado pedindo mais segurança no entorno:

— Há 15 dias, pedimos uma patrulha da Polícia Militar na saída da faculdade, mas só a vi lá uma vez.

Na Faculdade de Belford Roxo (Fabel), onde também funciona um colégio de manhã, os últimos dias foram de tumulto. Na semana retrasada, bandidos tentaram roubar o carro de pais de alunos.

— Isso foi por volta das 7h, mas os seguranças da escola impediram. Semana passada, foi uma troca de tiros entre bandidos e policiais às 6h, na Av. Joaquim da Costa Lima — lembrou uma funcionária.

Temendo a onda de violência, um colégio particular no bairro Santa Amélia mandou bilhetes para os pais das crianças pedindo que eles não chegassem antes do horário de entrada.

— Normalmente, elas entram às 7h30, mas, às 7h, a escola já estava funcionando. Depois destes episódios de violência, optaram por abrir só 15 minutos antes. Na rua da escola, já foram assaltados três carros — contou a mãe de um aluno do 5º ano.

A rede municipal de ensino também foi atingida. Segundo o Sindicato de Profissionais de Educação (Sepe) de Belford Roxo, as escolas municipais Alejandro Fernandez Nunez, em Santa Amélia, Yolanda Cardoso, na Palmeira, e Albert Sabin (educação especial), em Piam, estão sem aulas desde a noite de quarta-feira. O Hospital Infantil de Belford Roxo, em Areia Branca, também fecha quando começa o tiroteio.

O delegado titular da 54ª DP (Belford Roxo), Luiz Henrique Guimarães, disse que a liderança do Morro do Castelar já foi identificada:

— Inclusive o principal deles, de vulgo Piranha. Há sete pedidos de prisão preventiva na mão da Justiça.

Torre blindada em Nova Aurora

De acordo com o 39º BPM (Belford Roxo), há cerca de 15 dias, a equipe de inteligência da unidade recebeu informações de que uma facção criminosa ligada ao Morro do Castelar estaria se organizando para uma invasão ao Morro da Palmeira, controlado por outra facção. Imediatamente o comando reforçou o policiamento na região.

As faculdades que ficam próximas às comunidades, preocupadas com um possível confronto, solicitaram reforço de policiamento nos horários noturnos, o que, segundo o batalhão, está sendo feito. “Até o momento, não se confirmou tal invasão, toda a ação da Polícia Militar foi preventiva’’, disse a PM, em nota.

O prefeito de Belford Roxo, Waguinho, se reuniu na semana passada com o comandante do 39º BPM, coronel Silva Júnior, para discutir a violência. Através de uma parceria com o governo estadual, a Secretaria de Segurança instalou uma torre blindada da PM em Nova Aurora. A torre terá oito policiais trabalhando 24h.

A Prefeitura de Belford Roxo informou que a decisão de fechar ou não a escola fica a cargo da direção de cada unidade, que após abrigar os estudantes, comunica à Secretaria de Educação e aos responsáveis dos alunos. “A prefeitura entente que não pode colocar em risco a integridade física e/ou moral dos alunos, funcionários e comunidade escolar. Em relação ao Hospital Infantil, informamos que a unidade não pode ser fechada devido ao atendimento de urgência e emergência e que o mesmo funciona 24 horas.”

A Uniabeu informou que tem mantido o seu horário normal de aulas. A instituição disse que compreende os alunos que decidem sair mais cedo, mas que precisa manter o seu cronograma de aulas.

Reportagem: Cíntia Cruz
Via: Jornal Extra
19/03/2018

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