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Restos mortais desaparecem em Duque de Caxias


Não é de hoje que os caxienses sofrem quando precisam contar com os serviços funerários prestados na cidade. Na última segunda-feira (08/05), a corretora de imóveis Gleyce Araujo, esteve na 59ª Delegacia de Polícia, em Duque de Caxias, acompanhada da cunhada Jaqueline Ferreira de Oliveira, para registrar um Boletim de Ocorrência contra a concessionária que administra os cinco cemitérios da cidade.

Isso porque Gleyce foi surpreendida quando seus familiares estiveram no Cemitério Tanque do Anil para pagar a taxa de manutenção do local e descobriram que a administração não sabe mais informar onde se encontram os restos mortais do seu pai, o senhor José Januário de Araujo, falecido há 11 anos e enterrado no local.”Em 2014, fiz a exumação dos restos mortais do meu pai e depositei no Cemitério Tanque do Anil. Desde então, todos os anos eu pago a taxa de manutenção. Na semana passada, quando minha cunhada e meu irmão foram lá pagar, descobriram que a administração do cemitério não sabe onde estão os restos mortais do meu pai e de outros corpos que foram enterrados lá”, explicou Gleyce.

A filha do Sr. José Januário completou, ressaltando que queria transferir o material para Saquarema, onde mora atualmente. “Infelizmente, não consegui. E eles não dão muita satisfação. Disseram que vários restos mortais foram transferidos para um ossário público, mas eles não sabem bem de quem são esses restos. O que eles sugeriram é que eu abrisse as gavetas para ver se era a ossada do meu pai. Mas eu expliquei que não poderia fazer isso, porque isso é crime. É violação de cadáver”.

Casos como o relatado por Gleyce e Jaqueline infelizmente são comuns em Duque de Caxias, onde uma empresa recebeu a concessão para exploração dos cemitérios no governo do ex-prefeito Zito. Desde então, a população sofre toda vez que precisa se despedir de familiares e entes queridos, já que a concessionária presta um péssimo serviço aos caxienses, com inúmeros casos de desrespeito e irresponsabilidade.

Após abrir o Boletim de Ocorrência, Gleyce contou que os policiais que a atenderam na delegacia ressaltaram que casos como esse acontecem com frequência e que essa não foi a primeira denúncia desta natureza. Na quarta-feira, dia 09, após a denúncia da família e a divulgação do caso na imprensa, a concessionária localizou os restos mortais que estavam desaparecidos. Outros casos de sumiços têm sido denunciados, desde que um temporal, em fevereiro, fez desabar parte do muro do cemitério, espalhando ossadas humanas e pedaços de caixões na rua em frente ao local.

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