O Palácio Guanabara vive um período de transição sob a liderança do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto. Ciente do caráter provisório de sua permanência no comando do Executivo fluminense, Couto completou 100 dias na cadeira governamental administrando por etapas. Sem uma data definitiva para deixar o posto, a projeção atual é de que ele permaneça na liderança do estado por mais 60 dias. Até lá, o governador em exercício mantém um objetivo rígido: reduzir os gastos públicos em pelo menos R$ 5 bilhões até o encerramento do ano.
Dentro desse plano de contenção e revisão de despesas, uma medida drástica foi oficializada. Através de um decreto publicado no Diário Oficial, o governador determinou a suspensão integral do Programa Sentinela, uma das vitrines da gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL). O projeto previa o investimento bilionário de R$ 2 bilhões para a implementação de 200 mil câmeras de monitoramento em todo o território estadual.
Em posicionamento oficial, a administração estadual justificou que o cancelamento visa interromper despesas classificadas como excessivamente elevadas, realinhando as ações governamentais com as reais prioridades e possibilidades da máquina pública.
A decisão já vinha sendo desenhada. Em declarações anteriores dadas à imprensa no fim de junho, Ricardo Couto apontou que a gestão de Castro desenhou um teto de gastos que superava drasticamente a arrecadação real do estado. Diante do cenário de descompasso financeiro, o governador em exercício solicitou o apoio do Tribunal de Contas do Estado (TCE) para auditar os contratos e despesas de grande porte — o que incluiu a análise minuciosa da aquisição das mais de 200 mil câmeras com tecnologia de reconhecimento facial do Projeto Sentinela, agora formalmente interrompido.








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