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‘2026 é o novo 2016’: por que os jovens sentem tanta saudade de uma época tão recente?

quarta-feira, janeiro 28, 2026

/ by Jornal Destaque Baixada

Nas últimas semanas, a timeline do TikTok e do Instagram foi invadida por uma onda de nostalgia incomum. Com a tag "2026 é o novo 2016", jovens da Geração Z têm resgatado músicas, filtros do Snapchat e a estética de apenas dez anos atrás, tratando a década passada como uma época distante e romantizada pelas memórias digitais. O fenômeno levanta uma questão curiosa: por que o ciclo da saudade, que antes levava 20 ou 30 anos para acontecer, encurtou tanto?

Para Maíra Andrade, coordenadora do Serviço de Psicologia Aplicada - SPA da Uniabeu, a resposta está na percepção, impulsionada pelo ambiente digital, de que o tempo passa mais rápido. Segundo a especialista, o que antes demorava décadas para virar "retrô" agora parece algo que ficou para trás em cinco ou dez anos, transformando o passado recente em um mecanismo de defesa.

"O cérebro busca refúgio no passado recente porque ele parece um lugar seguro e mais simples em comparação com o caos atual. A nostalgia funciona como uma defesa emocional", explica a psicóloga. Ela pontua que, mesmo que 2016 tenha sido um ano de crises mundiais, impeachment no Brasil, Guerra na Síria, e perdas culturais significativas, como a morte de David Bowie e Prince, a mente tende a editar as partes ruins e idealizar o período.

Essa "memória seletiva" é intensificada pela própria arquitetura das redes sociais. Maíra destaca que vivemos em um arquivo infinito, onde ferramentas que relembram fotos e momentos de anos anteriores, como as memórias do Instagram, aceleram o gatilho da saudade.

"As plataformas digitais documentam nossas vidas instantaneamente. Isso nos permite sentir falta de coisas que aconteceram há apenas um ou dois anos", analisa.

Ao contrário do que parece, essa busca pelo passado não é necessariamente um medo do futuro ou da Inteligência Artificial, mas sim um sintoma de exaustão com o presente. De acordo com a especialista da Uniabeu, a quantidade avassaladora de informações faz com que o "agora" pareça efêmero.

A percepção da psicóloga é corroborada por dados de mercado. Segundo o relatório de tendências “Generative Realities 2026”, da Dentsu Creative, 45% dos jovens afirmam que o ambiente online se tornou tão estressante que eles tentam se desconectar o máximo possível, muitas vezes, fugindo para memórias de uma época pré-algoritmo.

"O estilo de vida de 2026 é drasticamente diferente do de 2016. A nostalgia atual é uma mistura dessa aceleração digital com uma necessidade psicológica de encontrar estabilidade em um mundo de mudanças constantes", conclui Maíra.
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