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Em carta a Douglas Ruas, Cabral defende UPPs e dá conselhos para o governo do RJ

segunda-feira, outubro 12, 2026

/ by Jornal Destaque Baixada


Pouco após a confirmação do resultado eleitoral que definiu o próximo chefe do Executivo fluminense, o ex-governador Sérgio Cabral publicou uma “Carta a Douglas Ruas” nesta sexta-feira (9). Em artigo veiculado em sua coluna no jornal Correio da Manhã, o ex-gestor parabenizou Douglas Ruas (PL) pela vitória nas urnas, relembrou realizações de seus dois mandatos à frente do Palácio Guanabara (2007–2014) e abriu um debate público sobre os rumos da segurança pública no estado.

Apesar de revelar que jamais esteve pessoalmente com o governador eleito, Cabral afirmou ver relevância em compartilhar suas memórias e diagnósticos após ter comandado o estado por oito anos.

O ponto central do texto é o contraponto feito por Cabral às declarações recentes de Ruas sobre táticas de combate ao crime organizado. Ruas, que tem na retomada de territórios uma de suas principais bandeiras de campanha, defende que o estado não deve pré-anunciar o ingresso de forças de segurança em áreas dominadas por facções ou milícias, sob a justificativa de evitar a fuga de criminosos e o vazamento de informações.

Em resposta, Cabral defendeu a metodologia adotada na implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), iniciada em 2008. Segundo ele, o aviso prévio das incursões operacionais tinha como objetivo central a preservação de vidas.

"Evitamos a morte de inocentes", argumentou o ex-governador na publicação, sustentando que o modelo de pacificação reduziu enfrentamentos armados, devolveu a liberdade de circulação a moradores e permitiu a entrada de serviços públicos, agências bancárias e novos comércios nas comunidades.

Vale destacar que, embora defendida pelo ex-gestor, a política das UPPs enfrentou severas críticas e questionamentos ao longo dos anos por parte de especialistas em segurança, principalmente quanto à sua sustentabilidade orçamentária e efetividade na redução do crime a longo prazo.

Ao repassar sua passagem pelo governo, Cabral mencionou que assumiu o estado em situação financeira crítica em 2007 e destacou as escolhas de secretários estratégicos, como Joaquim Levy (Fazenda) e José Mariano Beltrame (Segurança). Ele citou ainda o avanço no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a criação das UPAs 24 Horas, a construção do Arco Metropolitano, a expansão da malha sobre trilhos (metrô e trens), o Bilhete Único Intermunicipal e a atração dos Jogos Olímpicos de 2016.

Na reta final da mensagem, Cabral dirigiu críticas aos governos que o sucederam, classificando o momento atual do Rio de Janeiro como grave. Ele lembrou também um detalhe simbólico: a entrada de Douglas Ruas nos quadros da Polícia Civil ocorreu por meio de concurso público realizado durante sua gestão.

Como recomendação principal ao novo governante, Cabral sublinhou a importância de garantir autonomia a uma equipe técnica e qualificada.

"Peço a Deus que te ilumine e te inspire a montar uma grande equipe e que você a lidere para dar ao nosso estado e, principalmente, ao nosso povo, o bom lugar que ele merece no Brasil", concluiu Cabral, desejando sorte ao governador eleito na condução do estado.
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