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Mãe e irmão de Oruam são presos no Rio em ação da PF contra o Comando Vermelho

segunda-feira, outubro 19, 2026

/ by Jornal Destaque Baixada


RIO DE JANEIRO — A Polícia Federal prendeu, nesta segunda-feira (19), a dona de casa Márcia Gama Nepomuceno, seu filho Lucas Santos Nepomuceno — respectivamente mãe e irmão do rapper Oruam — e o vereador carioca Fábio Silva (Podemos). Os alvos foram capturados durante a Operação Backbone, deflagrada por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para desarticular o monopólio clandestino e a cobrança ilegal de sinal de internet e TV a cabo impostos pelo crime organizado em comunidades do Rio de Janeiro.

Enquanto a mãe e o irmão do cantor foram localizados no Estado do Rio, o parlamentar carioca acabou detido pelas equipes policiais no município de Londrina, no Paraná. A investida cumpriu 19 dos 23 mandados de prisão preventiva expedidos pela Suprema Corte.

Entre os alvos da ação também está o detento Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP. Pai de Oruam e de Lucas, o custodiado teve um novo mandado cumprido dentro do sistema penitenciário federal, de onde, segundo a PF, segue no comando das operações financeiras do grupo em articulação com familiares e lideranças da facção.
As apurações demonstraram que o bando garantia a hegemonia no fornecimento do serviço cortando e vandalizando os cabos de operadoras regulares. Impedidas de atuar nas comunidades, as empresas licitadas eram substituídas por provedores autorizados pelo tráfico, que pagavam propinas periódicas para explorar os territórios.

A tática de coerção transformou os moradores em um mercado consumidor cativo. Planilhas de controle contábil apreendidas pelos investigadores revelam que, em um único mês, as taxas cobradas sobre o serviço de internet corresponderam a mais de 40% de toda a arrecadação da facção criminosa no Complexo da Penha.

"A exploração desse serviço público tornou-se uma das principais atividades lucrativas do crime organizado e fomenta a guerra pelo controle de territórios: cada comunidade dominada representa uma base de clientes cativos e uma nova fonte de receita para a facção", destacou a Polícia Federal em nota.

Lavagem em criptomoedas e bloqueio de R$ 558 milhões

Para lavar os recursos oriundos da extorsão, a organização utilizava uma rede de empresas de fachada, produtoras de eventos, agências de publicidade, compra de imóveis de luxo pagos em dinheiro vivo e transações com criptoativos.

Além das prisões, o STF determinou o bloqueio de R$ 558 milhões pertencentes a pessoas físicas e jurídicas investigadas, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em seis municípios fluminenses. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi acionada para cassar as licenças e lacrar os equipamentos das empresas envolvidas no esquema, garantindo a transição do sinal sem prejuízo aos moradores das comunidades atingidas.
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