Delegada Adriana Belém é presa por ordem da justiça após quase R$ 2 milhões ter sido encontrado na casa dela - Jornal Destaque Baixada

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10/05/2022

Delegada Adriana Belém é presa por ordem da justiça após quase R$ 2 milhões ter sido encontrado na casa dela


Por ordem da justiça, a delegada Adriana Belém, foi presa na tarde desta terça-feira (10/5) Ela foi alvo hoje pela manhã na Operação Calígula, deflagrada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. (MPRJ).

Durante a ação, a força-tarefa apreendeu quase R$ 2 milhões em dinheiro no apartamento dela. Inicialmente, ela foi denunciada por corrupção em razão da liberação de máquinas de caça-níqueis.

Adriana será levada para a Corregedoria da Polícia Civil e terá que explicar sobre a origem do dinheiro. Segundo os promotores de Justiça, o valor encontrado na residência de Belém é um forte indício de lavagem de dinheiro. Até o momento, foi contabilizado aproximadamente R$ 1,8 milhão apreendido.

As investigações serão aprofundadas para determinar a origem do montante. O mandado foi cumprido pela Corregedoria da Polícia Civil. A ação contou com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ).

Dos 24 mandados de prisão deferidos, 14 foram cumpridos. Além de Adriana, o delegado de polícia Marcos Cipriano também está preso. Foram apreendidos 20 celulares, seis notebooks, um HD, R$48.251,20, $2.200 dólares, 4.420 pesos argentinos, 70 pesos uruguaios (todos em espécie), R$3.800 (em cheque), valores obtidos na casa de Cipriano. Também foram apreendidos diversos documentos, pendrive, chips, noteiros, máquinas de cartão, 211 máquinas de caça-níqueis, cópias de processos e componentes eletrônicos. Foram fechados dois bingos clandestinos na Barra da Tijuca e no Recreio, com apreensão de R$ 130 mil nos locais. Na casa da delegada de Polícia Adriana Belém foi contabilizada a apreensão de R$1.765.300,00. O dinheiro foi localizado pelos investigadores em um cofre na suíte e em malas localizadas em um armário no quarto do filho de Belém. Ao todo, foram cumpridos 119 mandados de busca e apreensão.

Os promotores informaram que entre o material apreendido na casa de Cipriano estava cópia da decisão prolatada na noite de segunda-feira pelo Juízo, o que aponta para vazamento da ação deflagrada nesta terça. O coordenador da Força-Tarefa e do GAECO/MPRJ, Bruno Gangoni, afirmou que o fato será investigado pela FT.

A operação foi deflagrada para reprimir a organização criminosa liderada por Rogério de Andrade e seu filho, Gustavo de Andrade, integrada por dezenas de outros criminosos, incluindo Ronnie Lessa, denunciado como executor do homicídio da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. Rogério e Gustavo são considerados foragidos. Foram denunciadas à Justiça 30 pessoas acusadas por organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Mais detalhes da denúncia neste link.

Durante a entrevista coletiva, os promotores de Justiça explicaram que a relação entre Ronnie Lessa e Rogério remonta a 2009, quando o primeiro atuava como segurança do contraventor. Porém, em 2018, um mês após a morte de Marielle Franco e Anderson Gomes, foi identificada uma reaproximação entre os dois, ao negociarem uma parceria envolvendo casa de apostas. "Essa investigação evidencia que, no momento contemporâneo da morte da Marielle, havia uma relação entre os dois. Não podemos afirmar que há uma relação entre os casos, mas há proximidade entre os episódios", afirmou o promotor de Justiça Diogo Erthal.

Ainda segundo os promotores, a investigação também identificou a atuação de denunciados no sistema de tecnologia que opera o jogo do bicho, não só no Rio de Janeiro, mas também em estados das regiões Sul e Nordeste. A pedido do MPRJ, a Justiça determinou que o sistema fosse tirado do ar em todo o país. "A atuação criminosa de Rogério de Andrade extrapola o Rio de Janeiro. Hoje essa organização criminosa busca expandir a exploração do jogo do bicho e de máquinas caça-níqueis, uma expansão que é conquistada com violência e corrupção", afirmou Fabiano Cossemerlli, subcoordenador do GAECO.

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Publicado em 10/05/2022

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