Salsicha, bacon, presunto e linguiça agora integram o "Grupo 1" de risco. Especialistas alertam que o perigo reside na frequência do consumo e nos aditivos químicos usados na fabricação.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta global que deve transformar os hábitos alimentares de milhões de pessoas. Alimentos populares como bacon, linguiça, presunto e salsicha passaram a integrar oficialmente a lista de substâncias comprovadamente cancerígenas para humanos.
Com a decisão, as carnes processadas passam a figurar no chamado Grupo 1, a mesma categoria de risco ocupada pelo tabaco, pelo amianto e pela fumaça de óleo diesel. De acordo com a agência, essa classificação é baseada em evidências científicas sólidas que confirmam a ligação direta entre o consumo desses alimentos e o desenvolvimento de tumores.
O perigo está na química e no processo
O problema central não é apenas a carne em si, mas os métodos utilizados para aumentar a durabilidade e realçar o sabor desses produtos. O processo de fabricação envolve:
Cura e Defumação: Processos que alteram a estrutura química do alimento.
Aditivos: O uso de nitritos e nitratos como conservantes.
Substâncias químicas: Durante o processamento, podem ser gerados compostos N-nitroso, que são potencialmente agressivos ao DNA humano.
50 gramas: A marca do risco
Segundo os estudos analisados pela agência, o risco é cumulativo e depende da quantidade. O consumo diário de apenas 50 gramas de carne processada — o equivalente a cerca de duas fatias de presunto ou uma salsicha — já é suficiente para aumentar de maneira significativa a probabilidade de desenvolver câncer (especialmente o colorretal) ao longo da vida.
Importante esclarecer: Embora a carne processada esteja no mesmo grupo que o tabaco, a OMS ressalta que isso se refere à certeza científica (evidências) e não à intensidade do risco. Fumar continua sendo mais letal e causador de mais casos de câncer do que o consumo de embutidos.
Carne vermelha "fresca" e recomendações
A carne vermelha in natura (boi, porco, cordeiro) foi classificada no grupo de "risco provável". Embora as evidências sejam menos conclusivas que as dos processados, o consumo excessivo está associado a tumores no intestino, pâncreas e próstata.
A OMS enfatiza que o objetivo do relatório não é causar pânico, mas sim promover a moderação. A orientação principal é buscar o equilíbrio, reduzindo a ingestão de industrializados e priorizando uma dieta variada, rica em alimentos naturais.
