O Nubank deu o pulo do gato e oficializou a assinatura do contrato para a compra do Banco Porto Real de Investimentos, instituição fundada no Sul do estado do Rio de Janeiro em 1992. A transação funciona como uma solução regulatória para que a gigante dos serviços financeiros continue utilizando a palavra “bank” em sua marca comercial, site e aplicativos. O negócio ainda precisa do aval definitivo do Banco Central (BC) para ser concluído.
A operação é uma resposta direta às determinações do BC e do Conselho Monetário Nacional (CMN), atualizadas em novembro de 2025. A norma proíbe que empresas do setor financeiro utilizem nomenclaturas que sugiram serviços para os quais não possuem autorização explícita — a menos que uma instituição com essa licença específica faça parte do mesmo grupo econômico.
O gargalo da licença e a solução no interior do RJ
Até então cadastrado oficialmente como Nu Holdings, o grupo possuía autorizações para operar como instituição de pagamento e de crédito, mas não contava com o registro formal de banco. Sem a mudança, a empresa teria que remover a palavra "bank" de sua identidade visual e domínio.
Para resolver a exigência sem alterar sua operação principal, o Nubank buscou uma estrutura enxuta no mercado fluminense. O Banco Porto Real — que pertence à família Tarquínio Monteiro da Costa, ex-controladora de uma antiga engarrafadora da Coca-Cola no estado — atende perfeitamente ao perfil buscado.
Registros do Banco Central referentes ao primeiro trimestre indicam o porte modesto da instituição adquirida:
R$ 32,1 milhões em ativos;
R$ 31,4 milhões em patrimônio líquido;
R$ 352 mil de lucro líquido no trimestre;
Nenhuma captação de recursos registrada.
O que muda para os usuários?
Segundo a direção da fintech, a aquisição não trará impactos operacionais ou visíveis na rotina dos seus mais de 115 milhões de clientes no Brasil. Aplicativo, catálogo de produtos, taxas e canais de atendimento permanecerão sem alterações, e a compra não exigirá aportes adicionais de capital. O valor da negociação não foi divulgado pelas partes.
Líder em número de clientes entre as instituições privadas do país — à frente de gigantes tradicionais como Itaú e Bradesco e atrás somente da Caixa Econômica Federal —, o Nubank reforça sua posição no mercado nacional. "O Brasil é onde o Nubank nasceu, cresceu e provou que serviços financeiros mais justos e simples são possíveis em escala", afirmou David Vélez, fundador e CEO da empresa.
