A federação União Progressista — composta por União Brasil e PP — anunciou durante convenção estadual que não apoiará a candidatura do deputado estadual Douglas Ruas (PL) ao Governo do Estado. A legenda optou por manter neutralidade na corrida ao Executivo.
A mudança de posicionamento encerra formalmente o acordo firmado no início de fevereiro e ocorre a apenas 24 horas do fim do prazo limite estipulado pela Justiça Eleitoral para as convenções partidárias, agendado para esta quarta-feira (5/8). Com a janela de negociações praticamente encerrada, a margem de manobra do PL para articular novos apoios partidários e reestruturar a chapa ficou inviabilizada.
Sem o respaldo da federação, o Partido Liberal deve caminhar para a confirmação de uma chapa inteiramente própria ("puro-sangue"), preenchendo as vagas de candidato a vice-governador e a segunda postulação ao Senado com quadros internos da própria legenda.
O recuo da União Progressista atinge diretamente os planos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos principais articuladores do nome de Ruas ao Governo do Estado. O Rio de Janeiro é considerado a principal base política da família Bolsonaro, que via na aliança estratégica com União Brasil e PP uma peça-chave para alavancar a campanha de Flávio à Presidência da República no território fluminense.
Até os dias anteriores ao encontro partidário, a cúpula do PL mantinha a expectativa de preservação do acordo. Na semana passada, o presidente estadual do partido, deputado Altineu Côrtes, havia declarado publicamente ter recebido garantias de que os dois partidos continuariam integrando a coligação de Ruas.
A decisão da federação coroou uma série de baixas prévias que vinham desidratando a pré-candidatura do PL:
Com a desistência na vice, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP), que havia sido indicado em fevereiro para compor a vaga de vice-governador, recuou da disputa, deixando o posto em aberto na reta final.
Ontem, segunda-feira (3/8), o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), apontado pela federação para disputar a cadeira no Senado Federal, abriu mão do projeto majoritário para buscar um mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa (Alerj).
