O Sistema Único de Saúde (SUS) já disponibiliza o exame molecular de DNA-HPV em 37 municípios do estado do Rio de Janeiro, garantindo o diagnóstico precoce do vírus antes do aparecimento de lesões decorrentes do câncer do colo do útero. A nova metodologia consegue identificar os tipos virais de maior risco, como o 16 e o 18, otimizando o encaminhamento para o tratamento. Além disso, diminui a quantidade de amostras consideradas insatisfatórias, acelera a entrega de laudos e permite que, em caso de resultado negativo, a mulher precise refazer o procedimento apenas a cada cinco anos.
A tecnologia faz parte de uma estratégia nacional que já alcança 26 unidades da federação e registrou 153 mil amostras coletadas entre 2025 e 2026. Somente em 2026, 93 mil exames já foram processados em laboratório pelo país, dos quais 9.904 apontaram presença de HPV de alto risco.
No estado do Rio de Janeiro, a coleta pode ser feita nos postos de saúde de municípios da Baixada Fluminense, Região Metropolitana, Serrana e interior, incluindo Nova Iguaçu, Queimados, Japeri, Seropédica, Guapimirim, Itaguaí, Paracambi, Rio de Janeiro, São Gonçalo, Saquarema, Silva Jardim, Petrópolis, Nova Friburgo, Miguel Pereira, Paty do Alferes, Mendes, Paraíba do Sul, Três Rios, Sapucaia, Cordeiro, Cantagalo, Carmo, Duas Barras, Macuco, Bom Jardim, Santa Maria Madalena, São José do Vale do Rio Preto, São Sebastião do Alto, Sumidouro, Trajano de Moraes, Angra dos Reis, Mangaratiba, Paraty, Cachoeiras de Macacu, Carapebus, Quissamã e Resende. Enquanto a inovação segue em expansão gradual, o tradicional exame Papanicolau continua ativo e disponível em todas as unidades básicas de saúde como ferramenta segura de prevenção.
O exame preventivo Papanicolau permanece disponível e segue sendo uma ferramenta segura e eficaz de prevenção enquanto a nova tecnologia está sendo incorporada. Para apoiar estados e municípios nesse processo, o Ministério da Saúde conta ainda com as ações do programa Agora Tem Especialistas, que contribuem para aumentar a oferta de consultas, exames e procedimentos especializados necessários ao diagnóstico e acompanhamento das pacientes.
A coleta para o teste molecular é realizada por profissionais de saúde nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Em situações previstas pelo protocolo, também pode ser feita por autocoleta, após instrução de um profissional de saúde, ampliando as possibilidades de acesso das mulheres ao rastreamento.
Todas as unidades da federação, com exceção do Espírito Santo, já receberam os materiais necessários e já iniciaram a realização dos exames em pelo menos um município. No estado do ES, o início da estratégia depende da conclusão das etapas de organização local, com previsão de envio de materiais ainda este ano.
Os kits de coleta são produzidos pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP/Fiocruz). O Ministério da Saúde também avalia outras tecnologias que atendam aos padrões de qualidade exigidos pelo SUS para garantir o avanço da estratégia.
A implantação do DNA-HPV vem sendo acompanhada por um processo de capacitação em parceria com estados e municípios. Treinamentos presenciais e online já foram realizados nas 27 unidades da Federação para preparar gestores e responsáveis por coordenar a implementação da estratégia nos territórios.
Esses profissionais atuam como multiplicadores, apoiando a qualificação das equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e dos demais serviços envolvidos no rastreamento. A preparação inclui não apenas o uso do novo protocolo e das orientações do INCA, mas também a reorganização dos fluxos de atendimento para garantir que as mulheres recebam acompanhamento adequado em todas as etapas do cuidado.
Vale destacar também que o Brasil superou a média mundial de cobertura vacinal contra o HPV entre meninas e meninos de 9 a 14 anos, alcançando 87% de cobertura entre as meninas e 74% entre os meninos, em 2025.
Câncer do Colo do Útero
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil poderá registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028. Com o diagnóstico oportuno, as chances de cura são de 100%.
A doença pode não apresentar sintomas no início. Mas alguns sinais merecem atenção e devem ser investigados por um profissional de saúde:Sangramento durante ou após a relação sexual;
Sangramento entre as menstruações;
Sangramento depois da menopausa;
Dor durante a relação sexual;
Corrimento vaginal com sangue ou com mau cheiro.
Nos casos mais avançados, podem aparecer outros sintomas, como:Dor na região da pelve ou na parte baixa das costas;
Cansaço intenso;
Problemas nos rins;
Inchaço e dor nas pernas.
