O governo da Índia confirmou, nesta semana, que cinco pacientes testaram positivo para o vírus Nipah, um dos patógenos mais letais do mundo. O surto está concentrado em Calcutá, onde as autoridades agiram rapidamente para colocar cerca de 100 pessoas em isolamento rigoroso, na tentativa de frear a disseminação do vírus, que circula naturalmente entre morcegos frugívoros.
Entre os infectados, o estado de saúde de um paciente é considerado crítico. O que mais preocupa as autoridades sanitárias é o fato de que profissionais de saúde que atendiam os primeiros doentes também contraíram o vírus, confirmando a capacidade de transmissão entre humanos.
O que é o vírus Nipah e como ele ataca?
Considerado uma prioridade de pesquisa pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Nipah é uma zoonose (transmitida de animais para humanos). A contaminação inicial ocorre geralmente pelo consumo de alimentos (como frutas ou seiva de tamareira) contaminados por saliva ou urina de morcegos infectados e até porcos.
Os sintomas evoluem rapidamente:
Fase inicial: Febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta.
Fase neurológica: Tontura, sonolência e alteração de consciência.
Agravamento: Pneumonia atípica e desconforto respiratório agudo.
Em casos graves, o paciente pode desenvolver encefalite (inflamação do cérebro) e convulsões, progredindo para o estado de coma em apenas 24 a 48 horas.
O desafio da ausência de vacina
Um dos pontos mais alarmantes para a comunidade científica é que não existe tratamento específico ou vacina disponível contra o Nipah. O cuidado médico é limitado ao suporte dos sintomas. Com uma taxa de letalidade que pode atingir 75%, o vírus é monitorado de perto por seu potencial pandêmico.
"O período de incubação pode variar de 4 a 14 dias, mas há registros de que o vírus pode permanecer latente no organismo por até 45 dias antes de manifestar sintomas", alertam especialistas.
Risco para o Brasil
Apesar da gravidade, autoridades de saúde afirmam que as chances de o vírus chegar ao Brasil no momento são baixas. Atualmente, a circulação do patógeno está restrita majoritariamente ao Sudeste Asiático, especialmente na Índia e em Bangladesh.
