A concessionária Águas do Rio deu início, nesta terça-feira (01/09), a uma das maiores intervenções de saneamento básico da história de Duque de Caxias. O projeto tem como meta impedir o despejo diário de 29 milhões de litros de esgoto in natura no Rio Farias — manancial que deságua na Baía de Guanabara —, volume comparável ao conteúdo de 11 piscinas olímpicas.
Orçada em R$ 300 milhões, a infraestrutura do chamado Coletor em Tempo Seco vai impactar diretamente 170 mil habitantes de nove bairros: Parque Fluminense, Chácaras Arcampo, Pilar, Campos Elíseos, Jardim Nossa Senhora do Carmo, Cângulo, Jardim Primavera, Jardim Rosário e Saracuruna.
Para a implantação de 22 quilômetros de novas redes subterrâneas, a concessionária vai empregar "tatuzinhos" em um trecho de 9,8 km. O uso dessa tecnologia de tunelamento — a mesma adotada em obras metroviárias — permite a passagem das tubulações por baixo da terra sem a necessidade de escavar valas abertas no asfalto, reduzindo o impacto no tráfego e no cotidiano do município.
O complexo incluirá ainda a criação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Farias, 11 estações de bombeamento e 54 pontos de captação.
A ausência de saneamento adequado impõe riscos frequentes à população, sobretudo em períodos de temporal. Ana Carolina de Souza, educadora na Creche Susana Naspolini, em Campos Elíseos, relata que transbordamentos no canal vizinho à unidade já provocaram casos de gastroenterite e dermatites entre os alunos. Para ela, a chegada da infraestrutura traz alívio para as famílias e garante um ambiente escolar mais seguro.
Segundo o diretor-executivo da Águas do Rio, Samuel Augusto, a despoluição do Rio Farias reflete no bem-estar social, na redução de odores e de enfermidades, além de promover a valorização imobiliária da região.
A ação em Caxias integra o plano de expansão do saneamento na Região Metropolitana. Na Baixada Fluminense, a concessionária já havia ativado, em fevereiro de 2025, o primeiro Coletor em Tempo Seco em Mesquita, responsável por barrar 15 milhões de litros diários de resíduos nos rios Dona Eugênia e Sarapuí.
Ao todo, o grupo Aegea prevê investir R$ 19 bilhões nos 27 municípios fluminenses sob sua gestão até 2033. Do montante, R$ 2,7 bilhões serão aplicados em redes de tempo seco para evitar que 1,3 bilhão de litros de esgoto cheguem diariamente à Baía de Guanabara.
