Em sua primeira manifestação pública após desembarcar nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou, na tarde desta quarta-feira (28), que se considera o "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e prometeu comandar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir do exterior. O posicionamento foi divulgado por meio de uma nota oficial retransmitida pelo jornalista Paulo Figueiredo.
No comunicado, o parlamentar rebateu as alegações de que teria fugido do país e argumentou que sua saída teve o objetivo de preservar sua atuação política frente às decisões da Justiça brasileira.
"Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito. Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece", declarou o senador.
Para justificar a decisão de permanecer fora do território nacional, Flávio citou personalidades históricas e políticas que atuaram no exílio, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado. O parlamentar também fez agradecimentos públicos ao presidente da Argentina, Javier Milei, ao presidente eleito dos EUA, Donald Trump, e ao governo americano pelo acolhimento de sua família.
Trajetória do desembarque e bastidores da saída
O pronunciamento ocorre após a chegada da família Bolsonaro aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28). O grupo desembarcou no aeroporto executivo de Opa-Locka, na região de Miami, a bordo de um jato privado.
A rota de deslocamento teve início na noite de terça-feira (27), quando o senador, sua esposa Fernanda Antunes e as duas filhas cruzaram a fronteira terrestre em Foz do Iguaçu rumo a Puerto Iguazú, na Argentina. De lá, o voo realizou uma escala técnica em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para a Flórida, sem entrar no espaço aéreo brasileiro.
A saída do país ocorreu em meio ao cumprimento de medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira (26), a Polícia Federal intimou o parlamentar a entregar seus passaportes comum e diplomático no prazo de 24 horas, além de proibi-lo de deixar o país e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, no âmbito de investigações sobre suposta lavagem de dinheiro. Diante do não cumprimento da entrega dos documentos dentro do prazo, os passaportes foram cancelados pela PF.
Contestações do pleito e desdobramentos judiciais
Flávio Bolsonaro foi derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais por uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos. O pleito foi marcado por debates jurídicos após a determinação do ministro Cristiano Zanin, do STF, que estendeu o horário de funcionamento de seções eleitorais até às 19h em razão de relatos de restrições no transporte público em capitais como Salvador e São Paulo. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aproximadamente 34 mil votos foram computados no período prorrogado.
Após a divulgação do resultado oficial pelo TSE, Flávio sinalizou inicialmente que pediria a anulação da eleição. Diante de divergências entre aliados, o senador recuou e declarou que acionaria a Justiça para pedir a cassação da chapa vencedora, afirmando que não pretendia deixar o Brasil.
O STF, o TSE e a assessoria da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram procurados para se manifestar sobre as declarações do parlamentar, mas ainda não enviaram posicionamento oficial.
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