Morar na Zona Oeste da capital ou nos municípios da Baixada Fluminense significa estar diretamente mais exposto a doenças do aparelho respiratório do que a população de outras regiões do estado. A contínua emissão de poluentes por polos siderúrgicos, petroquímicos e grandes entroncamentos logísticos instalados nesses territórios criou um gargalo sanitário que se reflete de forma alarmante nos leitos de internação do Sistema Único de Saúde (SUS).
A constatação ganha dimensão nos dados do Mapa da Desigualdade 2026, relatório lançado neste mês de outubro pela organização Casa Fluminense. Segundo o estudo, das 43.724 internações hospitalares no SUS registradas em todo o estado do Rio de Janeiro no ano passado por complicações como pneumonia, bronquite e asma, 60% concentraram-se na Baixada Fluminense — com destaque para Duque de Caxias — e em bairros da Zona Oeste carioca, como Santa Cruz.
Falta de atendimento básico agrava o quadro na Baixada
A alta taxa de doentes respiratórios é severamente agravada pela desassistência na atenção primária à saúde na Baixada Fluminense. Sem postos de saúde ou equipes da Estratégia Saúde da Família em quantidade suficiente, o acompanhamento preventivo e o tratamento precoce tornam-se inviáveis, empurrando os pacientes diretamente para as emergências e leitos hospitalares.
Queimados lidera o ranking de desassistência na região: o município possui 52% da população sem cobertura de atenção básica do SUS.
Em seguida aparecem Duque de Caxias e Nova Iguaçu, ambos com 43% dos moradores desprovidos de atendimento primário.
Em sua 5ª edição, o relatório compila 40 indicadores sobre os 22 municípios da Região Metropolitana do Rio, organizados a partir dos eixos de justiça climática, econômica, racial e de gênero. O diagnóstico expõe outros abismos estruturais do estado:
Violência letal: Mais de 70% das 741 pessoas mortas por agentes de segurança pública no estado, no ano anterior, eram negras.
Desigualdade salarial: A diferença de rendimentos entre brancos e negros na Região Metropolitana registrou um salto de 62,5% em apenas cinco anos.
Infraestrutura e riscos ambientais: O levantamento revela carências crônicas em saneamento básico, escassez de áreas verdes em cidades como São João de Meriti e Belford Roxo, além da exposição de milhares de famílias a riscos constantes de inundações, alagamentos e deslizamentos de terra.
