BRASÍLIA — Logo após a confirmação de sua derrota no segundo turno da eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi intimado pela Polícia Federal para entregar seus passaportes comum e diplomático. A ordem atende a uma determinação cautelar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também proibiu o parlamentar de deixar o território nacional.
Agentes cumpriram a notificação na tarde desta segunda-feira (26). A decisão do ministro baseou-se em declarações feitas no dia 23 de outubro pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que havia sugerido durante entrevista a um canal norte-americano que seu irmão deixasse o Brasil caso não vencesse a disputa presidencial.
Em gravação divulgada em suas redes sociais logo após ser abordado na rua pela equipe policial, Flávio declarou que foi notificado ao sair de uma visita a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador classificou a medida como uma atitude de intimidação, mas confirmou que entregará os documentos oficiais enquanto organiza sua defesa.
O parlamentar aproveitou a manifestação para voltar a questionar a condução da apuração pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a extensão do horário de votação no domingo. Dados consolidados da Justiça Eleitoral apontam que aproximadamente 34,3 mil votos foram registrados após as 17h, montante sem impacto sobre a vantagem final apurada em favor de Luiz Inácio Lula da Silva, que superou o senador por uma margem superior a 4 milhões de votos.
O desdobramento ocorre em meio ao não reconhecimento formal do resultado por parte do candidato derrotado. Em falas anteriores, Flávio havia sustentado que fiscais do Partido Liberal teriam sido retirados da sala-cofre durante a apuração.
A alegação foi formalmente desmentida pelo TSE, que reiterou a transparência e a auditabilidade do processo, acompanhado por fiscais e auditores credenciados de todas as agremiações partidárias.




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