O ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), amarga um completo isolamento político e jurídico no Rio de Janeiro. Após ver sua estratégia eleitoral naufragar na disputa presidencial, Reis sofreu o golpe final em suas pretensões públicas: o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou seus últimos recursos e manteve, de forma integral e definitiva, sua condenação por crimes ambientais e parcelamento irregular do solo.
Com a decisão da Suprema Corte, o ex-prefeito terá de cumprir a pena fixada em sete anos, dois meses e 15 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 67 dias-multa.
Sua aposta central consistia em utilizar a projeção de Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para exercer influência direta sobre o novo governador eleito.
Reis colocou sua estrutura partidária nas ruas no segundo turno visando garantir com Douglas Ruas o mesmo poder de barganha e trânsito que desfrutava na gestão de Cláudio Castro — período em que o ex-prefeito disputava diretamente o controle das ações do Executivo estadual com o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar.
Para tentar garantir a vitória de Flávio e o consequente acesso ao topo do novo governo, Washington entrou de cabeça na campanha. Ao lado de Netinho Reis, participou ativamente de ações de rua e "adesivaços", mobilizando a militância na Baixada Fluminense.
A frustração com o resultado das urnas, contudo, foi imediata e escancarou o fracasso da estratégia em duas frentes:
A aposta no segundo turno resultou em um desempenho inexpressivo de seu aliado no estado. Flávio Bolsonaro somou apenas 6.591 votos a mais em relação ao primeiro turno no Rio de Janeiro, enquanto a votação do presidente reeleito foi acrescida em 54.705 votos, esvaziando por completo a capacidade de pressão do grupo de Reis.
Sem a blindagem política que buscava e com as vias recursais esgotadas, Reis terá que responder pelos crimes praticados no primeiro mandato à frente da Prefeitura de Duque de Caxias (2005-2009). A ação penal, iniciada por denúncia do Ministério Público Federal (MPF), responsabilizou o ex-gestor e outros acusados por graves intervenções em uma área de mais de 30 hectares situada na zona de amortecimento da Reserva Biológica (ReBio) do Tinguá para a instalação do loteamento clandestino Vila Verde.
A condenação baseou-se na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) e na Lei de Parcelamento do Solo Urbano (Lei 6.766/1979). As perícias técnicas comprovaram ações ilegais como:
Destruição da Mata Atlântica em Área de Preservação Permanente (APP);
Corte mecânico de encostas e topo de morro;
Terraplenagem e extração irregular de argila;
Destruição de mata ciliar e aterramento de vegetação;
Aterramento da calha do rio, resultando no severo assoreamento da região









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