Servidor de Nova Iguaçu completa 84 anos e relembra trajetória - Jornal Destaque Baixada

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12/11/2018

Servidor de Nova Iguaçu completa 84 anos e relembra trajetória


"Vim para servir, não para me servirem. Minha função é servir a cidade e aqueles que confiam em mim. Lá fora há pessoas que pagam seus compromissos municipais e são elas a quem devemos enaltecer e engrandecer, pois são as verdadeiras sustentadoras da nossa vida". A afirmação, em tom de muita humildade, é de Frederico de Castro Pereira Netto, funcionário público mais antigo de Nova Iguaçu, com 63 anos de serviços ao município. Seu Frederico, como é chamado, completa 84 anos nesta terça-feira (13), e esbanja lucidez e vitalidade para seguir trabalhando.

Tudo começou em abril de 1955, quando, então com 20 anos, ele foi nomeado para o cargo de Fiscal de Distrito. Desde então, foram 35 nomeações ao longo de seis décadas. Dentre as mais importantes destacadas pelo próprio servidor está a chefia da limpeza urbana, assumida pela primeira vez em 1967. "O efetivo era pequeno e teve um domingo que alguns servidores faltaram. Então eu mesmo peguei uma vassoura e fui varrer a Avenida Marechal Floriano Peixoto", recorda Seu Frederico, que classifica a limpeza urbana como o 'espelho de uma cidade'. Em 1982, ele foi nomeado secretário de Serviços Públicos. Já nos anos de 1986, 1988, 1989 e 1993, foi diretor de Limpeza Urbana da Emlurb, escolhido por quatro prefeitos diferentes.

Outra função que Seu Frederico recorda com carinho é a chefia de Controle Interno dos serviços da garagem da prefeitura, na década de 1960, localizada à época onde hoje é a sede do governo municipal. "Foi um grande desafio, a garagem estava abandonada, com chão de terra e cheio de lama. Trabalhávamos das 6h às 23h, às vezes até meia-noite. Fizemos uma grande transformação na garagem e os jornais da época disseram que aquela nova estrutura era graças a um homem chamado Frederico de Castro Pereira Netto", relembra, emocionado.


Seu Frederico não só ajudou a transformar a cidade como também resgatou um pedaço de sua história. Em 1964, ao navegar o rio Sarapuí, em Tinguá, durante uma vistoria do leito, ele encontrou um objeto que pode ter pertencido à Família Real ou até mesmo a Francisco José Soares, o comendador Soares, fundador de Nova Iguaçu e tataravô de Frederico. "Paramos em uma escadaria que dava acesso à fazenda São Bernardino e a embarcação prendeu em uma âncora da época em que o rio era navegado por caravelas que vinham da Ilha do Governador com pessoas da nobreza. Essa âncora representa parte da história de Nova Iguaçu, pois o comendador Soares esteve muitas vezes naquela fazenda que foi também da Família Real", afirma o tataraneto do comendador. A âncora hoje está exposta na sede da prefeitura.

Outra lembrança que emociona Seu Frederico foi a construção de um cruzeiro na Serra de Madureira, na altura da Rua Dr. Tibau, no Centro de Nova Iguaçu. Um amigo contou que havia sonhado que ele ergueria no local a escultura de Santo Antônio, padroeiro da cidade. Seu Frederico recebeu aquele sonho como uma missão. As dificuldades de acesso ao local, no entanto, fizeram com que o plano da imagem do santo fosse alterado. "Lá do alto do morro pedi ajuda ao Pai. Então uma voz me disse: 'Se não tem condições de erguer a imagem de Santo Antônio, então faça a cruz. Ela é o símbolo da crucificação de Jesus Cristo", revela Seu Frederico, emocionado, garantindo ter ouvido uma voz divina. Em pouco mais de três meses o cruzeiro de 15 metros de altura e a 365 metros de altitude foi erguido e inaugurado no Natal de 1972.

Memória invejável une experiência e juventude

Em 2017, Seu Frederico foi nomeado pelo prefeito Rogerio Lisboa como Assessor de Patrimônio Arquitetônico e Urbanístico na Secretaria Municipal de Infraestrutura (SEMIF). Desde então, ele se dedica ao mapeamento subterrâneo de Nova Iguaçu. Com mais de 60 anos de serviços, ele conhece cada rua da cidade e diz exatamente por onde passa cada manilha d'água e caixas de esgoto, o tamanho da estrutura e para onde segue a rede.

"Uma empresa de planos de saúde decidiu construir um hospital na Rua Bernardino de Melo, no Centro, e a secretaria me pediu um estudo subterrâneo do em torno. Logo falei que as manilhas ali eram inadequadas para um hospital daquele porte. Então, como contrapartida, a própria empresa irá arcar com as obras de substituição da rede naquela região", explica Seu Frederico.

O conhecimento da estrutura subterrânea da cidade e de tantos outros setores chama a atenção dos mais jovens com quem Seu Frederico trabalha. A urbanista e arquiteta Daniela Morais, 24 anos, conta que o convívio com o 'vô', com ela o chama carinhosamente, lhe faz evoluir profissionalmente. "Não basta apenas nós, os jovens, chegarmos aqui cheios de gás. Só o tempo nos molda e nos transforma em ótimos profissionais. E ele já é moldado. Ele nos traz uma experiência imensa. Precisamos dele. Nossa cidade é sua vida, e sua vida é nossa glória", conta Daniela.

Humilde, Seu Frederico afirma que não é só ele quem tem a ensinar e garante que também aprende muito com os jovens. "Eles me fazem voltar à juventude. Creio que seja uma obrigação minha transmitir a eles meu conhecimento. São como crianças que conseguem penetrar em meu cérebro, mas também me ensinam bastante."

Tantos anos dedicados à vida pública tiveram um preço, a distância da família. Seu Frederico conta que o trabalho lhe tomou muito tempo da vida, mas diz que não se arrepende e faria tudo novamente. "Tudo o que conquistei é fruto do meu suor, cansaço e lágrimas minhas e da minha família. Os compromissos com a cidade me furtaram do convívio familiar, mas não me arrependo. Me dediquei à causa por amor", afirma Seu Frederico.

12/11/2018

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