O cenário político do Rio de Janeiro vive um dia decisivo nesta quinta-feira. O Tribunal de Justiça do Estado (TJRJ) pode anular a "eleição relâmpago" que conduziu o deputado estadual Douglas Ruas (PL) à presidência da Assembleia Legislativa (Alerj). O caso está sob análise da desembargadora Suely Lopes Magalhães, presidente em exercício do tribunal.
A magistrada avalia dois pedidos de liminar: um protocolado pelo PSD, partido do ex-prefeito Eduardo Paes, e outro pelo PDT, da deputada estadual Martha Rocha. Os partidos argumentam que o processo eleitoral interno da Alerj foi ilegal pelos seguintes motivos:
Não teria havido o respeito ao tempo mínimo necessário para a formação e registro de chapas.
A eleição não esperou a retotalização dos votos para deputado estadual, necessária após a cassação de Rodrigo Bacellar (União Brasil).
A decisão da Justiça terá efeito imediato em quem comanda o estado. Atualmente, o desembargador Ricardo Couto ocupa interinamente o cargo de governador, já que o Rio está sem vice-governador e o posto de presidente da Alerj estava vago.
Cenário A: A eleição é anulada
Douglas Ruas deixa a presidência.
A Alerj volta ao comando do vice-presidente da casa, Guilherme Delaroli (PL).
Ricardo Couto permanece como governador em exercício até a eleição indireta.
Cenário B: A eleição é mantida
Douglas Ruas assume oficialmente a presidência da Alerj.
Pela linha sucessória, ele passa à frente do desembargador e fica apto a assumir o governo imediatamente.
Neste caso, o Rio de Janeiro atingiria a marca histórica de três governadores em apenas quatro dias: Cláudio Castro (que renunciou na segunda-feira), Ricardo Couto (interino) e, por fim, Ruas.
Enquanto o Judiciário decide, o clima nos bastidores é de alta tensão. A movimentação para a eleição de Ruas foi vista como uma tentativa célere de manter o grupo político do ex-governador Cláudio Castro no poder. Paralelamente, no cenário nacional, o apoio à base de Castro sofre abalos; o governador do Paraná, Ratinho Júnior, teria recuado em seus apoios políticos na região sob pressão de lideranças como Flávio Bolsonaro.
A Alerj aguarda a notificação oficial do Tribunal de Justiça, o que deve ocorrer ainda no decorrer do dia.
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