A desembargadora Suely Lopes Magalhães, presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), anulou a sessão que elegeu o deputado estadual Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Assembleia Legislativa (Alerj).
A decisão trava, momentaneamente, a linha de sucessão que permitiria ao parlamentar assumir o comando do Governo do Estado após a renúncia de Cláudio Castro.
A "Cronologia Lógica" da Justiça
O principal argumento da magistrada é que a eleição interna na Alerj ocorreu de forma precoce. Segundo a desembargadora, a escolha do novo presidente só pode ser realizada após a retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).
Essa recontagem é fundamental para definir a composição oficial da Casa, garantindo que o "colégio eleitoral" (o grupo de deputados que vota) seja legítimo e atualizado conforme as decisões judiciais recentes.
"A cronologia lógica a ser observada [...] é inequívoca: primeiro retotalizar os votos, para assegurar a legitimidade da composição da Casa Legislativa e, assim, a higidez do colégio eleitoral e do próprio sufrágio interno que se avizinha; e só então deflagrar o processo eleitoral", afirmou a desembargadora na decisão.
O que acontece agora?
Com a suspensão da sessão, os próximos passos do governo e da legislatura estadual dependem do calendário da Justiça Eleitoral:
Terça-feira: Previsão para que o TRE-RJ realize a retotalização oficial dos votos.
Após a retotalização: A Alerj poderá convocar uma nova sessão para eleger seu presidente de forma definitiva e segura juridicamente.
Governo do Estado: Enquanto a presidência da Alerj não é definida conforme os ritos exigidos pelo TJRJ, o estado permanece sob expectativa de quem assumirá oficialmente o cargo vago por Cláudio Castro.
A decisão reforça o clima de incerteza institucional no Rio de Janeiro, exigindo que o legislativo estadual aguarde a validação da Justiça Eleitoral para garantir a "higidez" do processo de escolha do novo chefe do Executivo.
