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Centenárias e preservadas: antigas estações de trem de Nova Iguaçu são revitalizadas resgata memória da cidade

quarta-feira, agosto 12, 2026

/ by Jornal Destaque Baixada

Cerca de 150 anos após cumprirem papel decisivo na integração da Baixada Fluminense com a capital do estado, os edifícios históricos da antiga Estrada de Ferro Rio D’Ouro ganham uma nova função social. A Prefeitura de Nova Iguaçu iniciou a entrega das intervenções do projeto Estações da Cultura, iniciativa idealizada pela Secretaria Municipal de Cultura para restaurar as antigas estações de Tinguá, Rio D’Ouro e Vila de Cava, transformando os imóveis tombados em polos permanentes de memória, arte e educação.

Todo o processo de recuperação arquitetônica segue critérios técnicos rígidos de conservação do patrimônio histórico, preservando os traços originais dos prédios construídos no século XIX.

Tinguá é a primeira entregue; cronograma avança no interior

A Estação de Tinguá marca a estreia do circuito e já se encontra de portas abertas para a população local e visitantes. No local, o público pode conferir três mostras simultâneas: uma exposição em homenagem às obras do escultor Geraldo Marçal dos Reis (o Dadinho); um acervo em linha do tempo detalhando a trajetória do cordelista José Rodrigues de Oliveira; e a exibição "Imagens de Nova Iguaçu na coleção Arruda Negreiros", com registros fotográficos raros da formação territorial da região.


Enquanto isso, os trabalhos seguem na Estação de Rio D’Ouro, cuja conclusão está prevista para os próximos dois meses. A etapa seguinte contemplará o imóvel de Vila de Cava.

Para o prefeito Dudu Reina, a recuperação dos equipamentos reforça a política de resgate da identidade do município:

"A região da antiga Vila de Iguassú guarda uma história muito rica e que precisa ser valorizada. Nós já demos um grande passo com a inauguração do primeiro Museu de Arqueologia e Etnologia do Estado do Rio de Janeiro e, agora, avançamos na recuperação dessas três antigas estações ferroviárias. São iniciativas que ajudam a revelar para a população a importância que Nova Iguaçu teve para a região e para todo o estado", destacou o prefeito.

O secretário municipal de Cultura, Marcus Monteiro, ressaltou a importância de descentralizar o acesso aos equipamentos culturais:

"Quando recuperamos um patrimônio como esse, não estamos apenas restaurando um imóvel. Estamos devolvendo à população um pedaço da sua própria história. Fazer isso em áreas mais descentralizadas é ainda mais importante, porque permite que a cultura esteja perto das pessoas e que elas tenham acesso a espaços de conhecimento e memória dentro dos seus próprios territórios", afirmou o secretário, acrescentando que o conceito de Tinguá será replicado nas demais unidades para criar uma rede conectada pela história local.


Projetada em 1876, a Estrada de Ferro Rio D’Ouro ficou conhecida como a "Ferrovia das Águas". Sua construção teve objetivo estratégico: dar suporte logístico para a montagem das adutoras que transportavam água das mananciais de Tinguá para abastecer a cidade do Rio de Janeiro. Além de transportar insumos e operários, a linha posteriormente passou a fazer o transporte de passageiros, operando até 1964.

Projetando os próximos passos, a Secretaria Municipal de Cultura estuda a viabilidade de reativar futuramente o trecho ferroviário entre Vila de Cava e Tinguá para a implantação de um trem turístico até a área da antiga Vila de Iguassú, visando fomentar a economia criativa e o turismo histórico na Baixada Fluminense.
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