Uma decisão tomada em um momento de profunda dor permitiu que o Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI) realizasse, nesta semana, a sua primeira captação de coração do ano de 2026. O doador foi um jovem de 26 anos, que teve a morte encefálica confirmada após ser vítima de um atropelamento.
Além do coração — um dos órgãos de maior complexidade para transplante —, a autorização da família possibilitou a captação do fígado, rins, pâncreas e córneas. Ao todo, o gesto de generosidade pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de até sete pacientes que aguardam na fila nacional de transplantes.
Apesar do sucesso deste procedimento, o cenário geral no HGNI acende um alerta. Os dados do primeiro trimestre de 2026 mostram que, embora o número de potenciais doadores se mantenha estável, a recusa familiar tem impedido que mais vidas sejam salvas.
Uma corrida contra o tempo
A captação de um coração exige uma logística de altíssima precisão. Uma vez captado, o órgão precisa ser transplantado no receptor em um prazo máximo de quatro horas, o que demanda integração total entre as equipes médicas, transporte e o sistema de saúde.
Como já é tradição no HGNI, a unidade prestou uma homenagem ao jovem doador. Profissionais de diferentes setores formaram um "corredor humano", um momento de silêncio e respeito para honrar quem, mesmo na despedida, deu a outros a oportunidade de um recomeço.
Como ser um doador?
No Brasil, a doação de órgãos só acontece com a autorização expressa da família. Por isso, não é necessário deixar nada por escrito, mas sim informar aos seus parentes próximos o seu desejo de ser doador.
O processo de doação de órgãos e tecidos no HGNI é conduzido pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), responsável por identificar potenciais doadores, acolher familiares e organizar toda a logística da captação. Logo após a autorização dos familiares, o RJ Transplantes é acionado e envia cirurgiões até à unidade. Após a cirurgia, os órgãos são encaminhados a pacientes cadastrados no Sistema Nacional de Transplantes (SNT), seguindo critérios técnicos e a lista única nacional.
“Mais do que a parte técnica, nosso trabalho envolve acolher e orientar os familiares em um momento de muita sensibilidade, além de garantir toda a logística necessária para que a doação ocorra com segurança”, explicou Roberta Carvalho, coordenadora da CIHDOTT.
