RIO DE JANEIRO – O uso de aeronaves fretadas pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro tornou-se o centro de uma nova polêmica envolvendo o ex-governador Cláudio Castro. Levantamentos apontam que a frota de táxi aéreo, paga com recursos públicos, foi utilizada para deslocamentos que extrapolam a agenda administrativa, incluindo destinos turísticos e eventos de lazer em companhia de familiares e aliados políticos.
Entre março de 2023 — início da vigência do contrato de aluguel — e março deste ano, quando renunciou ao cargo, Castro realizou um total de 225 viagens. Embora a maior parte (153 voos) tenha tido como destino Brasília para agendas institucionais, uma parcela significativa dos trajetos levanta questionamentos sobre a finalidade do gasto:
Salvador (BA): Viagem para a abertura do Carnaval.
São Paulo (SP): Deslocamento para acompanhar a etapa da Fórmula 1 no Autódromo de Interlagos.
Gramado (RS): Ida ao tradicional Festival de Turismo.
Em diversas dessas ocasiões, o ex-governador não estava apenas acompanhado de secretários, mas também de parentes e políticos fluminenses, sem que houvesse uma justificativa clara de interesse público para a presença de acompanhantes civis em voos oficiais.
O contrato de fretamento de jatinhos é um dos itens de peso nas contas do estado. Até o momento, o montante pago à empresa de táxi aéreo já soma R$ 18,5 milhões.
O valor gera críticas da oposição e de órgãos de controle, que questionam a eficiência do gasto frente à crise fiscal que o Rio de Janeiro atravessa. O custo médio por viagem e a natureza dos destinos são os principais pontos de auditoria.
Procurado para comentar os dados, o ex-governador Cláudio Castro se manifestou por meio de nota oficial. O texto defende a legalidade dos procedimentos:
"Todas as viagens realizadas durante a sua gestão, por meio de voos fretados, seguiram rigorosamente a legislação vigente."
A defesa sustenta que os deslocamentos foram necessários para a representação do estado e para o cumprimento de agendas que exigiam agilidade de transporte. No entanto, a nota não detalha especificamente a presença de familiares nos voos para eventos de lazer.
