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| Foto: Camila Hampf/Hospital Pequeno Príncipe |
Cerca de 30 mil crianças nascem todos os anos com algum tipo de cardiopatia congênita no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. O panorama se torna ainda mais desafiador pelo fato de que 40% desses bebês precisarão passar por uma cirurgia cardíaca ainda no primeiro ano de vida.
Para marcar o Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, celebrado neste 12 de junho, o Hospital Pequeno Príncipe — maior complexo hospitalar exclusivamente pediátrico do país — reforça que o diagnóstico precoce, seja na gestação ou nas primeiras horas pós-parto, é o fator determinante para garantir a sobrevivência e a qualidade de vida dos pacientes.
As cardiopatias congênitas são alterações na estrutura do coração que se desenvolvem ainda no período embrionário. De acordo com a cardiologista pediátrica Cristiane Binotto, chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Pequeno Príncipe, cerca de 90% dos casos podem ser descobertos antes mesmo do nascimento.
“O ecocardiograma fetal consegue identificar a maior parte dessas modificações. O diagnóstico precoce determina a necessidade de procedimentos invasivos no período fetal, neonatal imediato ou tardiamente no primeiro ano de vida”, explica a médica.
Avanços no SUS e exames obrigatórios
O rastreamento da doença ganhou um reforço histórico com a sanção da Lei 14.598, que assegura a realização de ecocardiograma e ultrassonografia para gestantes na rede pública de saúde.
Além dos exames de pré-natal, as maternidades realizam o teste do coraçãozinho entre 24 e 48 horas após o nascimento do bebê. O procedimento é simples, indolor e fundamental para detectar cardiopatias cianóticas (que causam baixa oxigenação no sangue) antes mesmo de a criança receber alta médica.
Fique alerta: Sinais e sintomas em bebês e crianças
Embora o acompanhamento médico seja indispensável, pais e responsáveis devem ficar atentos a sinais clínicos que indicam que o coração da criança pode estar sobrecarregado:
Em bebês:
Ponta dos dedos e/ou língua com coloração arroxeada;
Transpiração e cansaço excessivos durante as mamadas;
Respiração acelerada, mesmo quando o bebê está em repouso;
Dificuldade crônica para ganhar peso;
Irritação frequente e choro inconsolável.
Em crianças maiorzinhas:
Cansaço rápido durante atividades físicas (dificuldade de acompanhar os amigos);
Crescimento e ganho de peso abaixo da média para a idade;
Infecções pulmonares (como pneumonias) frequentes;
Lábios roxos e palidez excessiva enquanto brinca;
Palpitações ou batimentos cardíacos acelerados;
Episódios de desmaio.
Tratamentos e a estrutura de referência
Cada cardiopatia possui uma abordagem terapêutica única. Casos mais leves podem ser controlados apenas com medicamentos e monitoramento clínico. Já os quadros graves exigem intervenções como cateterismo, cirurgias abertas ou o transplante cardíaco.
Sendo o pioneiro no primeiro transplante cardíaco pediátrico bem-sucedido no Paraná, o Hospital Pequeno Príncipe consolidou-se como referência nacional em alta complexidade, com foco cirúrgico especial em recém-nascidos com menos de 30 dias de vida.
O balanço operacional da instituição traduz a dimensão do atendimento técnico oferecido. Ao longo de 2025, o hospital registrou:
6.686 consultas ambulatoriais atendendo pacientes vindos de 21 estados brasileiros;
598 cirurgias cardíacas, das quais 78 foram realizadas em bebês com menos de um mês de vida;
12 transplantes de coração e 34 transplantes de válvulas cardíacas.
O centro conta com alas tecnológicas de ponta, incluindo o Serviço de Eletrofisiologia (pioneiro no Brasil), Serviço de Hemodinâmica para procedimentos minimamente invasivos, exames detalhados de ecocardiograma sem radiação e uma UTI exclusiva voltada para a Cardiologia Pediátrica.
