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Márcio Poncio, pastor e dono de fábrica de cigarros, é preso no Rio; Bacellar e filho de Sérgio Cabral também são alvos

quinta-feira, julho 02, 2026

/ by Jornal Destaque Baixada


A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (2) a quinta fase da Operação Unha e Carne. A ação investiga um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas para a facção criminosa Comando Vermelho, além de lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo a nova cúpula do jogo do bicho e agentes públicos dos poderes Executivo e Legislativo fluminense.

A operação cumpre mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Todas as ordens foram expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que também determinou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 22 milhões.
A nova fase mira figuras conhecidas da política, do jogo do bicho e do meio religioso. A relação exata do pastor Márcio Poncio com o esquema ainda não foi detalhada pelos investigadores.

Mandados de Prisão Preventiva:

  • Márcio Poncio: Pastor, preso na manhã desta quinta-feira pela PF.

  • Rodrigo Bacellar: Ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Ele já se encontrava preso e, segundo a PF, será transferido para um presídio federal.

  • Adilson Coutinho Oliveira ("Adilsinho"): Apontado como contraventor e chefe da nova direção do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Ele também já estava no sistema prisional.

Mandado de Busca e Apreensão:

  • Marco Antônio Cabral: Filho do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

A origem da investigação e o "Capo" do bicho

A quinta fase da Operação Unha e Carne foi motivada pela análise de listas apreendidas anteriormente com Adilsinho. Segundo a PF, os documentos indicam registros de pagamento de propina a políticos, doações eleitorais irregulares e um complexo esquema de lavagem de dinheiro oriundo do crime organizado.

A própria Polícia Federal utiliza o termo "capo" para se referir a Adilsinho no inquérito. A nomenclatura deriva de caporegime, termo que designa um integrante de alto escalão da máfia italiana, responsável por comandar um grupo de subordinados e administrar as atividades criminosas em um território específico. As investigações seguem em andamento para mapear todo o fluxo financeiro e identificar outros beneficiários, intermediários e operadores do esquema.

A ofensiva da PF atende a uma determinação do STF no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635/RJ, conhecida como a "ADPF das Favelas". Entre outras diretrizes, a decisão do Supremo ordenou que a Polícia Federal conduzisse investigações aprofundadas sobre a atuação dos principais e mais violentos grupos criminosos do Rio de Janeiro e suas conexões estruturais com agentes públicos.

O Jornal Destaque Baixada está tentando contato com as defesas de Márcio Poncio, Rodrigo Bacellar, Adilsinho e Marco Antônio Cabral. O espaço segue aberto para manifestação.

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