NOVA IGUAÇU — Principal referência em atendimento de trauma na Baixada Fluminense, o Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI) contabilizou 5.520 socorros a vítimas de acidentes de trânsito entre janeiro e agosto deste ano. O volume já equivale a 95% de todas as ocorrências registradas ao longo de todo o ano passado, quando a unidade prestou atendimento a 5.812 pessoas. Com a marca atual, faltam apenas 292 casos para igualar o maior índice da série histórica do hospital.
Os dados ganham destaque no período que coincide com a Semana Nacional do Trânsito, campanha voltada para a conscientização sobre segurança viária. A evolução anual demonstra uma curva contínua de crescimento na demanda: foram 5.051 casos em 2022, 5.555 em 2023, 5.768 em 2024 e 5.812 em 2025. O pico de atendimento ocorreu em julho deste ano, mês que registrou o maior volume da série histórica, com 864 pacientes — uma média de 28 atendimentos diários ou um caso a cada 50 minutos.
Por ser o principal polo de emergência da região, o HGNI atende pacientes de diversas localidades do estado. Cerca de 40% das vítimas socorridas não residem em Nova Iguaçu. A proximidade com grandes eixos rodoviários faz com que a unidade receba feridos em acidentes ocorridos na Rodovia Presidente Dutra, na Via Light, no Arco Metropolitano e no trecho da Serra das Araras entre Piraí e Paracambi.
O secretário municipal de Saúde, Luiz Carlos Nobre Cavalcanti, pontuou que o fluxo na unidade espelha o cenário das vias públicas. “O que vemos dentro do hospital é um reflexo direto do que está acontecendo nas ruas. Já estamos muito próximos de igualar, antes mesmo do fim do ano, o maior número de atendimentos registrado em um ano inteiro. Por trás de cada número existe uma pessoa que sofreu um acidente, muitas vezes com lesões graves”, destacou.
O levantamento aponta que as motocicletas respondem pela parcela mais expressiva das ocorrências. Nos primeiros oito meses de 2026, foram 4.330 vítimas de acidentes com motos, o equivalente a 78,4% de todos os registros de trânsito no período. O número já supera em 14,6% o total acumulado em todo o ano de 2025, que fechou com 3.780 casos (frente a 3.282 em 2022, 3.634 em 2023 e 3.329 em 2024).
Para a pasta de saúde, a alta incidência de ocorrências envolvendo motociclistas exige alerta devido ao impacto social e clínico das lesões. Afastamentos do trabalho, longos períodos de recuperação e perda de renda familiar estão entre os reflexos citados pelas autoridades sanitárias como consequências que persisten mesmo após a alta médica.
